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Polícia e clientelismo: o uso político do cargo de subdelegado (1971-1989)

O ano de 1989 foi um período de intensos debates e também de intensificação de conflitos diversos no Brasil e no Espírito Santo. O debate sobre a eleição direta para presidente, depois de 29 anos, repercutiu, juntamente com as investigações e prisões relacionadas ao crime organizado no Estado do Espírito Santo, no noticiário capixaba. Nessa conjuntura foi extinto o cargo de subdelegado contratado como trabalhador vinculado à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que foi criada em 1971, durante a ditadura militar, pelo então governador Arthur Carlos Gerhardt.

A extinção do cargo e a exoneração de 197 subdelegados em 1989 não envolveu somente questões trabalhistas ou administrativas sucedeu-se em uma conjuntura de queixas interpostas pela Associação de Polícia Civil do Espírito Santo (APCEES), por meio de seu presidente Custódio Serrati Castelani, que denunciava o uso político do cargo de subdelegado e a degeneração dos nomeados fortalecendo o crime organizado no Espírito Santo. O debate sobre os subdelegados apareceu nos jornais depois de meses de investigações realizadas pela Polícia Federal para o combate ao crime organizado no estado. As operações policiais eram solicitadas inclusive pelo Governador do Estado, Max de Freitas Mauro, o que demonstra sinais de certa autonomia do aparato repressivo em relação ao controle exercido pelo governo do Estado sobre a polícia capixaba.

Durante todo o ano de 1989 a Polícia Federal agiu no estado do Espírito Santo. No conjunto das investigações, três grandes operações merecem destaque: em fevereiro foi deflagrada a Operação Alegoria, para combate ao tráfico de drogas e ao videopôquer, cujo desenvolvimento chegou aos nomes de José Carlos Gratz e ao delegado Cláudio Guerra; em setembro foi deflagrada a Operação Marselha, cujos alvos foram ladrões de carros e envolveu nomes policiais em um esquema que estaria conectado ao Cartel de Medelín da Colômbia, onde os carros seriam trocados por cocaína para ser exportada; em outubro foi deflagrada a Operação Dinossauro, que “estourou seis fortalezas do jogo do bicho, apreendeu vasta documentação sobre a contravenção e teve como seu maior saldo a detenção do bicheiro José Carlos Gratz”. [continua...]


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Publicado em:

LEMOS, Amarildo Mendes. Polícia e clientelismo: o uso político do cargo de subdelegado (1971-1989). In: PEREIRA, André Ricardo V. V. [et al.]. (orgs.). Conflitos e contradições na história: anais do XI Encontro de História. Serra, ES: Editora Milfontes, 2017. 372p. ISBN: 978-85-94353-02-3

Disponível em:  https://editoramilfontes.com.br/acervo/Conflitos%20e%20Contradicoes%20na%20Historia.pdf


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